segunda-feira, 15 de outubro de 2012

«A Revolução de Uma Palha»



De Masanobu Fukuoka (1913-2008), biólogo e agricultor japonês, criador da agricultura selvagem ou natural,  A Revolução de Uma Palha propõe-nos que deixemos a terra fazer o seu trabalho, cabendo-nos apenas a tarefa de lançar as sementes e deixar que os legumes cresçam ao lado das ervas daninhas. Esta concepção de agricultura terá inspirado a máxima «Trabalhar com e não contra a natureza» que norteia os defensores da permacultura.
Alguns excertos do livro, aqui, numa edição brasileira:
"O agricultor tornou-se atarefado demais quando começou a estudar o mundo e a decidir que seria bom fazer isto ou fazer aquilo. Toda a minha pesquisa se baseou em não fazer isto ou não fazer aquilo. Estes trinta anos ensinaram-me que os agricultores estariam numa situação bem melhor se não fizessem praticamente nada."
"Eu cultivo os meus legumes de maneira semi-selvagem, utilizando um terreno vago, ribanceira ou terra inculta não vedada. A minha concepção é lançar, simplesmente as sementes à terra e deixar que os legumes cresçam com as ervas daninhas. Faço crescer os meus legumes na encosta da montanha, nos espaços livres entre os citrinos.
O ponto importante é saber qual o momento certo para cultivar. Para os legumes primaveris, o momento certo é quando as ervas daninhas de Inverno começam a morrer e imediatamente antes da germinação das ervas daninhas da Primavera. No Outono, a sementeira deve fazer-se quando as ervas de Verão murcham e as ervas daninhas de Inverno não apareceram ainda."

sábado, 13 de outubro de 2012

Do coentro

Originário das regiões do Mediterrâneo e do Médio Oriente, o coentro (coriandrum sativum)  aparece mencionado no Antigo Testamento, onde é comparado ao maná do deserto: «E chamou a casa de Israel o seu maná; e era como a semente do coentro branco, e o seu sabor como bolos de mel» (Êxodo 16.31). Mas, muito antes, no Antigo Egipto, terá participado no processo de embalsamar o corpo dos nobres, acreditando-se no poder que esta planta tinha em encaminhar a alma. Diz-se que grãos de coentro terão sido encontrados no túmulo de Tutankamon.
Parente desta crença é a que na China atribui ao coentro o poder da imortalidade.
Também os gregos o utilizavam em pratos e bebidas e os romanos, acrescentando-o ao cominho e ao vinagre, usavam-no para conservar o sabor de carnes variadas.
Aparece no Naturalis Historia de Plínio, o Velho, (23-79) e Paracelso (1493-1541) conta que, juntamente com almíscar, açafrão e incenso, resultava num poderoso elixir amoroso, muito em voga entre as medievas práticas de bruxaria.
Actualmente é assíduo na produção cosmética, integrando a composição de diversificados cremes para  rosto e corpo.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Vamos à feira

A feira de produtos da horta realizar-se-á, até se encontrar melhor solução, às segundas-feiras das 10:30 às 12. Traga um saco.
Não vendemos tudo a uma pessoa só. Não somos uma empresa, nem temos como objectivo o lucro.
Queremos mostrar que é possível cultivar de forma saudável. Sem pressas, nem atropelos ambientais. Move-nos a pedagogia e não a instrumentalização das pessoas.

Para a próxima feira (15 de Outubro) temos: acelgas, tomates (poucos), tomilho, nabos, coentros, salsa, basílico, alho-francês, rúcula (muita), cenoura (pouca)... (de tudo um pouco).
ENCOMENDE os seus produtos: deixe a sua lista com os produtos que deseja no link comentários (abaixo desta mensagem), identifique-se e nós deixamos o seu saco na portaria do parque de estacionamento.

Nota informativa: a partir de hoje o pagamento (e/ou donativos) dos produtos hortícolas será entregue em mão à Sra. Ana Azevedo, na CONTABILIDADE (junto ao conselho executivo). Assim o dinheiro é entregue directamente à escola, sem intermediários.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004)



O REI DE ÍTACA

A civilização em que estamos é tão errada que
Nela o pensamento se desligou da mão

Ulisses rei de Ítaca carpinteirou seu barco
E gabava-se também de saber conduzir
Num campo a direito o sulco do arado

Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra Poética III, Caminho, 1991, p. 209

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Na próxima feira

(Ver post abaixo: "Vamos à feira")

O tomilho (fig. à esquerda), cujo nome científico é thymus vulgaris, é uma espécie mediterrânica.
Tem aroma intenso e forte. Picante de sabor, reforça o de outras ervas resultando bem com a salsa e a sálvia.
Considerado uma alternativa saudável ao sal, é ideal para guisados e cozidos (carne/peixe), sopas e molhos.
São-lhe reconhecidas propriedades diuréticas, digestivas e estimulantes.

O basílico (fig. à direita), também conhecido por manjericão, é de origem indiana e nomeado cientificamente por ocimum basilicum.
Tem um sabor agradavelmente apimentado o que confere aos pratos um aroma de frescura próximo do jasmim e do limão.
De resultados deliciosos em combinações com tomate fresco ou mozarella, é muito utilizado na cozinha italina, onde é considerado a erva armomática por excelência de pizzas, molhos (à base de tomate) e massas. Pode ser também adicionado às saladas.
Aconselha-se a que seja acrescentado (em pratos cozinhados) no final da cozedura e utilizado fresco, dado que a secagem lhe retira características essenciais.
Na medicina tradicional é usado como planta medicinal. Tanto as folhas como as flores são utilizadas na preparação de chás, indicados para problemas respiratórios e reumáticos e reconhecidos pelas suas propriedades estimulantes e digestivas.


A acelga (fig. ao centro), beta vulgaris, é um legume de folha verde, originário do Mediterrâneo.
Pertence à  família da beterraba e do espinafre e partilha com eles o mesmo destino culinário. Tanto o caule como as folhas são comestíveis (no entanto, se a planta estiver muito crescida, é aconselhável retirar o caule que tende a tornar-se amargo).
Considerado como um dos alimentos mais completos para a nutrição humana, a acelga é rica em vitaminas K, A, C, E, magnésio, potássio, ferro, fibras.