sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
William Blake (1757-1827)
31
Resposta da TERRA
A Terra ergueu a cabeça,
Do fundo da escura treva.
Sem grão de luz:
Horror de pedra!
Seus cabelos, de tormento, brancos.
«Presa da margem das águas,
O zelo estrelado guarda a minha tenda.
Frio e rouco
Chorando as mágoas
Escuto o Pai dos homens de outrora.
Pai dos homens ruim!
Medo cruel, ciumento, egoísta!
Como há-de o prazer,
Acorrentado na noite,
Dar à luz a manhã virginal?
Oculta a primavera os ardores
Quando despontam rebentos e flores?
Quem semeia,
Semeia de noite?
E quem lavra, lavra no escuro?
Quebra este elo apertado,
Que deixa o corpo gelado.
Egoísta! Vã!
Eterna ruína! Que o livre Amor acorrenta.»
William Blake, Cantigas da Inocência e da Experiência, Antígona, 2007
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Pequena entrevista a Richard Heinberg
Excerto de uma entrevista a Richard Heinberg (in wordpress.richardheinberg.com) realizada por um aluno do secundário, Rhian Moore, para o jornal da escola:
«Rhian: Acredita que haja aspectos positivos que prolonguem a existência da indústria agrícola? E relativamente aos aspectos negativos, quais são as suas piores consequências?
Richard: Há duas vantagens significativas na indústria agrícola moderna: (1) produz uma enorme quantidade de alimentos, relativamente baratos; e (2) é muito lucrativa para as empresas de sementes, químicos, fertilizantes e equipamentos, e para os produtores em grande escala.
Os aspectos negativos: (1) destrói o solo e a biodiversidade; (2) facilita o esvaziamento dos recursos não renováveis como o petróleo; (3) contribui para as mudanças climáticas, através do uso dos combustiveis fósseis, a desflorestação e a des-carbonização do solo; (4) a comida industrial é muitas vezes pobre em nutrientes (especialmente se for altamente processada), favorecendo o aparecimento de problemas de obesidade e de doenças degenerativas; (5) a agricultura industrial tende a favorecer os produtores de grande escala, levando à pobreza os milhões de pequenos produtores dedicados à agricultura de subsistência.
Rhian - Diz que, para darmos pequenos passos em direcção à resolução do problema, precisamos de envolver um maior número de pessoas no processo de produção alimentar. Como é que a re-ruralização pode ajudar?
Richard: Dado o encarecimento do petróleo e a redução do consumo de combustível fóssil, no sentido de evitar a catástrofe das mudanças climáticas, teremos de re-localizar os nossos sistemas de produção alimentar e de crescer mais organicamente. Precisaremos também de mais produtores, porque habitualmente usamos o petróleo para substituir a mão-de-obra agrícola. Com um maior número de pessoas envolvido na produção de alimentos, mais pessoas terão uma interacção diária com o clima, o solo e a biodiversidade; o que resultará numa maior atenção ao ambiente. Produziremos menos alimentos, mas conseguiremos uma alimentação mais rica e a nossa saúde sairá a ganhar com a prática de mais exercício físico e melhor alimentação.»
«Rhian: Acredita que haja aspectos positivos que prolonguem a existência da indústria agrícola? E relativamente aos aspectos negativos, quais são as suas piores consequências?
Richard: Há duas vantagens significativas na indústria agrícola moderna: (1) produz uma enorme quantidade de alimentos, relativamente baratos; e (2) é muito lucrativa para as empresas de sementes, químicos, fertilizantes e equipamentos, e para os produtores em grande escala.
Os aspectos negativos: (1) destrói o solo e a biodiversidade; (2) facilita o esvaziamento dos recursos não renováveis como o petróleo; (3) contribui para as mudanças climáticas, através do uso dos combustiveis fósseis, a desflorestação e a des-carbonização do solo; (4) a comida industrial é muitas vezes pobre em nutrientes (especialmente se for altamente processada), favorecendo o aparecimento de problemas de obesidade e de doenças degenerativas; (5) a agricultura industrial tende a favorecer os produtores de grande escala, levando à pobreza os milhões de pequenos produtores dedicados à agricultura de subsistência.
Rhian - Diz que, para darmos pequenos passos em direcção à resolução do problema, precisamos de envolver um maior número de pessoas no processo de produção alimentar. Como é que a re-ruralização pode ajudar?
Richard: Dado o encarecimento do petróleo e a redução do consumo de combustível fóssil, no sentido de evitar a catástrofe das mudanças climáticas, teremos de re-localizar os nossos sistemas de produção alimentar e de crescer mais organicamente. Precisaremos também de mais produtores, porque habitualmente usamos o petróleo para substituir a mão-de-obra agrícola. Com um maior número de pessoas envolvido na produção de alimentos, mais pessoas terão uma interacção diária com o clima, o solo e a biodiversidade; o que resultará numa maior atenção ao ambiente. Produziremos menos alimentos, mas conseguiremos uma alimentação mais rica e a nossa saúde sairá a ganhar com a prática de mais exercício físico e melhor alimentação.»
tradução (apressadamente livre) da minha autoria
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