sábado, 16 de fevereiro de 2013

Maria Gabriela Llansol (1931-2008)

Passo IX

Entre Tudo
a morte de Prunus Triloba

quando Sebastião ouviu (dizer) «Sou eu, Úrsula», saiu pela porta dos incógnitos, e tornou-se arbusto com as árvores; uma das três árvores era Prunus Triloba:
durante alguns momentos, Triloba teve uma mente de homem; certo dia, estando Spinoza a escrever, sentiu no flanco uma espécie de penetração de um gume e uma angústia que veio a tornar-se numa ciência de intuições vivas e claras.
Ignorou a razão dessa manifestação dolorosa, e nunca chegou a saber que a sua mente estivera a meditar com o abater de uma árvore.
Prunus Triloba tem uma mente de árvore e uma sombra tremente de indícios; fechada no seu espaço, procura os insectos no texto, no colo de Úrsula, nas paredes que são de terra branca; Spinoza tem por hábito deixar-se ficar no tronco, e suscita à volta uma claridade sem limites

Maria Gabriela Llansol, Causa Amante, Regra do Jogo, 1984, p. 63

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

José Pacheco Pereira: A TV RURAL E A FELICIDADE PELA AGRICULTURA

A TV RURAL  E A FELICIDADE PELA AGRICULTURA


Talvez poucas coisas sejam mais simbólicas do pensamento do poder dos nossos dias, se é que se pode chamar pensamento “àquilo”, é a proposta vinda da maioria da Assembleia, PSD e CDS, mais uns PS que são iguaizinhos, de “sugerir” à RTP produzir um remake da TV Rural do engenheiro Sousa Veloso. É um puro condensado de tudo o que está mal na elite do poder dos nossos dias, em versão mesquinha e ridícula e gritante. O gritante tem uma vantagem. 
Esta proposta revela tudo: ignorância em geral, falta de mundo, falta de vida fora da politiquice, ignorância do que deve ser a relação do poder político com a televisão (mas conhecimento, mostrado á revelia da vontade, do que é o “serviço público”); ignorância do que é a televisão em 2013; ignorância do que é a agricultura, ignorância do que são hoje os agricultores, ignorância do agro, da terra, da lavoura, do campo, de Portugal. Para eles o campo é tão mítico como uma personagem do Harry Potter, para usar uma comparação mitológica que devem conhecer e deixar-me de Grécia, Roma e a Bíblia, que não conhecem de todo. 
Que o ministério da lavoura precise de um espaço de propaganda entende-se. Que haja quem precise no âmbito dessa mesma propaganda do poder, de acreditar que há uma multidão de jovens desempregados que se volta para a agricultura, sem crédito para comprar as terras, sem crédito para comprar sementes e adubos e acima de tudo sem ter a mínima noção do que é fazer uma empresa agrícola em 2013, e ainda menos do que é o trabalho na terra, entende-se. Que haja quem pense que ainda se pode ir para a televisão insistir nos tratamentos para o míldio e o oídio, como fazia e bem o bom do engenheiro Veloso, ou recitar o Borda de Água e os seus bons conselho quanto ao que se deve plantar em Fevereiro, entende-se. Quem tenha uma vaga ideia do que era o piquenicão e pensa que este ainda pode sobreviver às festas dos supermercados, entende-se também. No fundo, tudo se pode entender, mas tudo ao mesmo tempo, poupem-nos. 
José Pacheco Pereira, in abrupto

Punk Economics 7: The Global Food Economy

Banksy


Massive Attack - Butterfly Caught

Michael Pollan: In Defense of Food

New era of food scarcity echoes collapsed civilizations


The world is in transition from an era of food abundance to one of scarcity. Over the last decade, world grain reserves have fallen by one third. World food prices have more than doubled, triggering a worldwide land rush and ushering in a new geopolitics of food. Food is the new oil. Land is the new gold.
This new era is one of rising food prices and spreading hunger. On the demand side of the food equation, population growth, rising affluence, and the conversion of food into fuel for cars are combining to raise consumption by record amounts. On the supply side, extreme soil erosion, growing water shortages, and the earth’s rising temperature are making it more difficult to expand production. Unless we can reverse such trends, food prices will continue to rise and hunger will continue to spread, eventually bringing down our social system. Can we reverse these trends in time? Or is food the weak link in our early twenty-first-century civilization, much as it was in so many of the earlier civilizations whose archeological sites we now study?

Continuar a ler aqui