quinta-feira, 7 de março de 2013
Para a Palmira...
IGRINA
O grito da cigarra ergue a tarde a seu cimo e o perfume do orégão invade a felicidade. A omnipotência do sol rege a minha vida enquanto me recomeço em cada coisa. Por isso trouxe comigo o lírio da pequena praia. Ali se erguia intacta a coluna do primeiro dia - e vi o mar reflectido no seu primeiro espelho. Igrina.
É esse o tempo a que regresso no perfume do orégão, no grito da cigarra, na omnipotência do sol. Os meus passos escutam o chão enquanto a alegria do encontro me desaltera e sacia. O meu reino é meu como um vestido que me serve. E sobre a areia sobre a cal e sobre a pedra escrevo: nesta manhã eu recomeço o mundo.
O grito da cigarra ergue a tarde a seu cimo e o perfume do orégão invade a felicidade. A omnipotência do sol rege a minha vida enquanto me recomeço em cada coisa. Por isso trouxe comigo o lírio da pequena praia. Ali se erguia intacta a coluna do primeiro dia - e vi o mar reflectido no seu primeiro espelho. Igrina.
É esse o tempo a que regresso no perfume do orégão, no grito da cigarra, na omnipotência do sol. Os meus passos escutam o chão enquanto a alegria do encontro me desaltera e sacia. O meu reino é meu como um vestido que me serve. E sobre a areia sobre a cal e sobre a pedra escrevo: nesta manhã eu recomeço o mundo.
Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra Poética III, Caminho, 1996, p. 11
segunda-feira, 4 de março de 2013
José Gomes Ferreira (1900-1985)
CINZAS I
A Poesia tem pés de terra.
Quando a atiramos para o céu
fica só e transida
no meio das estrelas
- a chorar com saudades dos homens
e da morte
A Poesia tem pés de terra.
Quando a atiramos para o céu
fica só e transida
no meio das estrelas
- a chorar com saudades dos homens
e da morte
domingo, 3 de março de 2013
Camilo Pessanha (1867-1926)
[Fragmento]
Um fio a desdobar, que não termina,
De grinaldas de rosas de toucar.
Camilo Pessanha, Clepsydra, Assírio & Alvim, 2003, p. 117
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