quarta-feira, 27 de março de 2013
Wislawa Szymborska
Despedida da paisagem
Não quero mal à Primavera
por ela aí estar de novo.
Não a culpo por,
como em cada ano,
cumprir as suas obrigações.
Compreendo que a minha tristeza
não detém a vegetação.
O cálamo se vacila
é só o vento.
Não me causa dor
que sobre a água os tufos de amieiros
de novo tenham com que ramalhar.
Tomo em consideração
que, como se vivesses ainda,
a margem de certo lago
permaneça linda como foi.
Nada tenho contra
esta vista, à vista
da baía esplendorosa de sol.
Consigo até imaginar
que outros que não nós
se sentem neste momento
no tronco do pinheiro derrubado.
Respeito o seu direito
ao murmúrio, ao riso,
a um silêncio feliz.
(...)
Não quero mal à Primavera
por ela aí estar de novo.
Não a culpo por,
como em cada ano,
cumprir as suas obrigações.
Compreendo que a minha tristeza
não detém a vegetação.
O cálamo se vacila
é só o vento.
Não me causa dor
que sobre a água os tufos de amieiros
de novo tenham com que ramalhar.
Tomo em consideração
que, como se vivesses ainda,
a margem de certo lago
permaneça linda como foi.
Nada tenho contra
esta vista, à vista
da baía esplendorosa de sol.
Consigo até imaginar
que outros que não nós
se sentem neste momento
no tronco do pinheiro derrubado.
Respeito o seu direito
ao murmúrio, ao riso,
a um silêncio feliz.
(...)
Wislawa Szymborska, Paisagem com Grão de Areia, Relógio D'Água, 1998, p. 305
segunda-feira, 25 de março de 2013
sábado, 23 de março de 2013
sexta-feira, 22 de março de 2013
quinta-feira, 21 de março de 2013
Alberto Pimenta
DESGOSTO do nome Ministério do Ambiente. Desgosto da existência dum Ministério do Ambiente neste ambiente. É obsceno. Desgosto de que o Ministério do Ambiente ajude a população a ambientar-se. Tudo no Ministério do Ambiente é obsceno e execrável; por que não, então, um Ministério do Perigo, e um Ministério da Felicidade, e um da Abundância, e outro da Satisfação Íntima, e mais um para as Dificuldades da Vida, outro para a Confiança na Disciplina e na Luz, um das Paixões, um da Independência Nacional, um da Moralidade Pública, outro da Recompensa Merecida, e do Contentamento Nacional, e da Estabilidade de Vida, e dos Sentimentos Recíprocos, e da Querela, e da Vigilância, e dos Esforços Perdidos, e da Bondade Natural e, finalmente, da Harmonia das Esferas? Moralidade da história? Como dizia o Semicúpio de António José da Silva: «Neste mundo somos todos homens de ganhar, o modo é que desautoriza».
Alberto Pimenta, O Terno Feminino, & etc, 1994, pp. 89,90
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