quarta-feira, 1 de maio de 2013

Às terças

contamos com a colaboração de alguns elementos da turma do PF,



acompanhados pela professora Helena Meireles.


domingo, 28 de abril de 2013

José Tolentino Mendonça

"Não sei um dia mas alguma coisa me doía/
ou talvez não doesse mas havia fosse o que 
fosse/ era isso sentia a grande falta de uma 
árvore"  Ruy Belo

(...) Uma vez em Paris, assisti a uma cena que me deixou sem palavras. Eu tinha ido ao Salão do Livro e, mais ou menos por essa data, o poeta Mário Cesariny convencera os seus editores, Hermínio Monteiro e Manuel Rosa, a fazerem de carro uma viagem até lá, mas para que ele pudesse consultar umas versões que lhe interessavam da epopeia de Gilgamesh. Já não sei bem reconstituir como, mas a verdade é que me vi a gazetear por Paris com eles. E, a dada altura, junto da torre de Saint-Jacques, Cesariny sai do carro e corre a abraçar uma árvore. Eu poderia escrever " corre a abraçar-se a uma árvore", mas creio que não faria justiça ao que me foi dado ver. Era mesmo um abraçar. O mundo fez um silêncio que eu desconhecia.
Existem, no hebraico bíblico, duas formas alternativas para designar uma árvore: ets e ilan. A primeira forma é a mais persistente na narrativa bíblica, mas a segunda também se pode encontrar, e é aquela que, por exemplo, os cabalistas trabalharam mais intensamente. A Cabala rabínica aplica-se a explorar as dimensões simbólicas e espirituais escondidas nas palavras e nos números (partindo da ideia de que todas as palavras são, no fundo, uma composição numérica e que as palavras que se equivalem em número também se correspondem no significado). O valor numérico do termo  ilan (árvore) é 91. Outra palavra da categoria 91 é malakh (anjo). Ao dizer árvore é, então, como se nos avizinhássemos daquilo que dizemos quando dizemos anjo. (...)

"A Fé das Árvores" in Expresso 13/ABR/13