sexta-feira, 14 de junho de 2013

domingo, 2 de junho de 2013

Rewilding made simple, George Monbiot

Adélia Prado

Bucólica nostálgica

Ao entardecer no mato, a casa entre
bananeiras, pés de manjericão e cravo-santo,
aparece dourada. Dentro dela, agachados,
na porta da rua, sentados no fogão, ou aí mesmo,
rápidos como se fossem ao Êxodo, comem
feijão com arroz, taioba, ora-pro-nobis,
muitas vezes abóbora.
Depois, café na canequinha e pito.
O que um homem precisa pra falar,
entre enxada e sono: Louvado seja Deus!

Adélia Prado, Bagagem, Cotovia, 2002, p. 47

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Emily Dickinson (1830-1886)

Tão pouco a Erva precisa de fazer -
Esfera de humilde Verde -
Com Borboletas só para pensar
E Abelhas entreter -

Mover-se todo o dia a belas Melodias
Que as Brisas vão buscar -
E no seu colo segurar o Sol
Fazer vénias a tudo -

Tecer de noite Orvalhos, como Pérolas -
E fazer-se tão fina
Que uma Duquesa, a coisa mais vulgar
Nem notícia seria -

E mesmo quando morre - esmaecer
Em odores tão divinos -
Especiarias Suaves, de dormir -
De Nardos, perecendo -

Depois, em Celeiros Reais viver -
E sonhar com os Dias a passar -
Tão pouco a Erva precisa de fazer -
Que eu queria ser um Feno -

Emily Dickinson, Cem Poemas, Relógio D'Água, 2010, p. 151