quinta-feira, 4 de julho de 2013
segunda-feira, 1 de julho de 2013
domingo, 30 de junho de 2013
Saint-John Perse (1887-1975)
XVIII
Agora deixem-me, vou sozinho.
Vou sair, pois tenho coisas a fazer: um insecto espera-me para
que o trate. Agrada-me
o grande olho facetado, anguloso, imprevisível como o fruto
do cipreste.
Ou então tenho um pacto com as pedras raiadas de azul: e
vós igualmente me deixais,
sentado, na amizade dos meus joelhos.
Agora deixem-me, vou sozinho.
Vou sair, pois tenho coisas a fazer: um insecto espera-me para
que o trate. Agrada-me
o grande olho facetado, anguloso, imprevisível como o fruto
do cipreste.
Ou então tenho um pacto com as pedras raiadas de azul: e
vós igualmente me deixais,
sentado, na amizade dos meus joelhos.
1908
Elogios, Quasi, 2002 , p. 61
CANÇÃO
Parado o meu cavalo sob a árvore coberta de rolas, lanço um assobio tão puro, que não há promessas às suas margens que estes rios não cumpram. (Folhas vivas na manhã são à imagem da glória...)
E não é que um homem não esteja triste, mas levantando-se antes do dia e mantendo-se com prudência no comércio duma velha árvore, apoiado pelo queixo à última estrela, ele vê no fundo do céu em jejum coisas grandes e puras que dispõem ao prazer...
Parado o meu cavalo sob a árvore que arrulha, lanço um assobio mais puro... E paz àqueles que, se vão morrer, não chegaram a ver este dia. Mas de meu irmão, o poeta, tivemos nós notícias. Mais uma vez escreveu uma coisa muito doce. E alguns tiveram dela conhecimento...
Anabase, Relógio D'Água, 1992, p. 79
sábado, 29 de junho de 2013
João Bénard da Costa (1935-2009)
Há jardins – como os da Vila Imperial de Katsura, ou do Templo Tenriuji
em Quioto – em que o que se procura é prolongar no espaço construído o
espaço natural que o rodeia, por forma a que o jardim “espelhe” com a
maior precisão possível a paisagem circundante. Cada planta é o duplo da
que lhe está em frente, cada pedra a réplica da cascata «lá fora»
existente, cada cor a que se acorda com a tonalidade encontrada no
“exterior” (e com ela variando conforme as estações do ano). Através de
uma técnica conhecida pelo nome de shakkei as montanhas, quedas
de água, matas selvagens, são incorporadas no espaço do jardim, num
arranjo paisagístico em que o “cenário” se interpenetra com o que o não
é, de modo a restituir uma indissociável unidade e a multiplicar a
ilusão até aos limites do que já não podemos ou sabemos classificar como
tal. § Há jardins – como os do Palácio Imperial de Quioto – em que o
ideal a atingir é tornar a intervenção humana tão discreta que esta se
torne quase imperceptível. Como? Dispondo, por exemplo, entre a
vegetação comum uma planta rara que aparentemente com ela se confunde,
ganhando todo o seu valor pelo facto de não poder estar ali por “meios
naturais” e conferindo a todo o espaço um peso de invulgaridade, pela
mera presença de uma árvore ou flor inusual. É o caso da tangerineira do
Palácio de Quioto (a tangerineira é uma árvore raríssima no Japão) que
se destaca e confunde suficientemente das e com as plantas comuns que a
cercam, para que tudo adquira o sentido de um tesouro, passando
desapercebido a quem não distinga a diferente qualidade entre o “centro”
e as suas “margens”, ou a quem nem sequer perceba que há centro e
margens (pp. 69-70)
João Bénard da Costa, Quinze Dias no Japão, 2001
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Subscrever:
Mensagens (Atom)



