terça-feira, 24 de junho de 2014
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Margarida Ferra
Nome comum: Jasmim-dos-Poetas
Percorria ao anoitecer os jardins
da cidade à procura das flores
oficiais - sobem amparadas
e perfumam com a memória
do chá as ruas irregulares.
Levava uma tesoura de unhas,
insuficiente e desnecessária porque
não colhia nada que fosse vivo.
Restavam-lhe frases livres,
páginas dobradas, cadeiras desiguais
e os pratos vazios deixados
aos gatos.
O primeiro poema encontrei-o
numa dessas buscas
debaixo da árvore maior,
no ferro que sustenta a copa,
preso com uma mola de roupa.
Percorria ao anoitecer os jardins
da cidade à procura das flores
oficiais - sobem amparadas
e perfumam com a memória
do chá as ruas irregulares.
Levava uma tesoura de unhas,
insuficiente e desnecessária porque
não colhia nada que fosse vivo.
Restavam-lhe frases livres,
páginas dobradas, cadeiras desiguais
e os pratos vazios deixados
aos gatos.
O primeiro poema encontrei-o
numa dessas buscas
debaixo da árvore maior,
no ferro que sustenta a copa,
preso com uma mola de roupa.
Margarida Ferra, Curso Intensivo de Jardinagem, & etc, 2010
domingo, 22 de junho de 2014
Manuel de Castro (1934-1971)
![]() |
| O poeta não tirava retratos |
Nós, os intocáveis, os imundos, recusamos
nossa vida à condição comum.
Porque é intemporal a rosa que nos leva
entre o dia e a noite.
Nós, os derrotados, impuros, oferecemos
nossa miséria a um significado
oculto e diferente -
asa branca na varanda
nome escrito nos telhados
estrada atravessando a terra de ninguém
Nós os últimos dos últimos coroamos
impérios e jardins. (Paralelo W, s/ p.)
in " Manuel de Castro ou a Passagem Invisível" de Manuel de Freitas, Cão celeste, nº 5, Maio de 2014
sábado, 21 de junho de 2014
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