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domingo, 19 de maio de 2013

Uma história de imperfeição

Uma história contada por Okazura Kakuzo no livro The Book of Tea, exemplificativa de uma estética que valoriza as imperfeições do mundo natural, subjacente à transformação introduzida por Sen No Rikyu (1520-91) na cerimónia do chá:
" Rikyu observava o seu filho, enquanto este limpava o pequeno jardim que antecedia a casa de chá. Quando ele deu a tarefa por terminada, disse-lhe que não esteva suficientemente limpo e que seria preciso tentar novamente. Depois de uma hora a esforçar-se, o rapaz dirigiu-se ao pai:
«Pai, não há mais nada para ser feito. Os degraus foram esfregados três vezes, as lanternas de pedra e as árvores foram salpicadas com água, as ervas e os musgos estão brilhantes. Nem uma folha eu deixei no chão.»
Ao que respondeu o pai:
«Criança tonta. Não é essa a maneira como deve ser limpo um caminho no jardim!»
E, avançando, abanou uma das árvores, espalhando ao longo do caminho algumas folhas douradas e vermelhas..."

Adaptado de lolipop-banzai.blogspot.pt

sábado, 13 de outubro de 2012

Do coentro

Originário das regiões do Mediterrâneo e do Médio Oriente, o coentro (coriandrum sativum)  aparece mencionado no Antigo Testamento, onde é comparado ao maná do deserto: «E chamou a casa de Israel o seu maná; e era como a semente do coentro branco, e o seu sabor como bolos de mel» (Êxodo 16.31). Mas, muito antes, no Antigo Egipto, terá participado no processo de embalsamar o corpo dos nobres, acreditando-se no poder que esta planta tinha em encaminhar a alma. Diz-se que grãos de coentro terão sido encontrados no túmulo de Tutankamon.
Parente desta crença é a que na China atribui ao coentro o poder da imortalidade.
Também os gregos o utilizavam em pratos e bebidas e os romanos, acrescentando-o ao cominho e ao vinagre, usavam-no para conservar o sabor de carnes variadas.
Aparece no Naturalis Historia de Plínio, o Velho, (23-79) e Paracelso (1493-1541) conta que, juntamente com almíscar, açafrão e incenso, resultava num poderoso elixir amoroso, muito em voga entre as medievas práticas de bruxaria.
Actualmente é assíduo na produção cosmética, integrando a composição de diversificados cremes para  rosto e corpo.