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terça-feira, 20 de maio de 2014

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004)

O JARDIM

O jardim está brilhante e florido.
Sobre as ervas, entre as folhagens,
O vento passa, sonhador e distraído,
Peregrino de mil romagens.

É Maio ácido e multicolor,
Devorado pelo próprio ardor,
Que nesta clara tarde de cristal
Avança pelos caminhos
Até os fantásticos desalinhos
Do meu bem e do meu mal.

E no seu bailado levada
Pelo jardim deliro e divago,
Ora espreitando debruçada
Os jardins do fundo do lago,
Ora perdendo o meu olhar
Na indizível verdura
Das folhas novas e tenras
Onde eu queria saciar
A minha longa sede de frescura.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Dia do Mar, Caminho, 2009, p. 13



sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Jorge Luis Borges (1899-1986)

Adam Cast Forth

Houve um Jardim ou tal Jardim foi sonho?
Na vaga luz me tenho perguntado
Quase como um consolo, se o passado
De que este Adão, já mísero, foi dono,
Não foi mais do que mágica impostura
Desse Deus que sonhei. É impreciso
Na memória o brilhante Paraíso,
Mas eu sei que ele existe e que perdura,
Embora não para mim. A dura terra
É o meu castigo e a incestuosa guerra
De Cains e Abéis e sua cria.
E, no entanto, é muito ter amado,
Haver sido feliz e ter tocado
O vivente Jardim, mesmo um só dia.

Jorge Luis Borges, Obras Completas 1952-1972, Editorial Teorema, 1998, p. 312

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Casa e jardim de Enid Blyton



Daphne du Maurier (1907-1989)

Estávamos numa encosta do morro, e, à nossa frente, até ao vale, ladeando um riacho, desenrolava-se uma passagem estreita. Nada de árvores sombrias, nem silvas emaranhadas; apenas uma fileira de azáleas à beira da passagem, e também rododendros, não cor de sangue como os gigantes lá de cima, mas brancos, cor de salmão, dourados, criações de beleza e graça.
O ar estava impregnado daquele perfume doce e intoxicante; pareceu-me que aquela essência se misturava com as águas sussurrantes do riacho, se integrava na chuva que caía e no musgo húmido que pisávamos. Não se ouvia som algum, a não ser o murmúrio do regato e o sussurro da chuva lenta. (...)
Nem o céu, agora sombrio e carrancudo, nem a chuva insistente, perturbavam a suave quietude do vale; a chuva e o riacho pareciam confundir-se; e, harmonizados com ambos, vinham no ar húmido as notas líquidas do canto do melro. Eu afastava, ao passar as frondes de azáleas, tão juntas umas das outras elas cresciam, bordejando o atalho; das pétalas, caíam pequenas gotas de água nas minhas mãos. Muitas pétalas estavam caídas no chão, escuras, molhadas, mas conservando ainda a fragrância; e senti também outros perfumes mais antigos e ricos: o cheiro profundo do musgo e da terra, dos fetos, das raízes das árvores entrançadas no solo.

Daphne du Maurier, Rebeca, Edição «Livros do Brasil» Lisboa, s/ data, pp. 103-104

domingo, 6 de outubro de 2013

sábado, 29 de junho de 2013

João Bénard da Costa (1935-2009)

Há jardins – como os da Vila Imperial de Katsura, ou do Templo Tenriuji em Quioto – em que o que se procura é prolongar no espaço construído o espaço natural que o rodeia, por forma a que o jardim “espelhe” com a maior precisão possível a paisagem circundante. Cada planta é o duplo da que lhe está em frente, cada pedra a réplica da cascata «lá fora» existente, cada cor a que se acorda com a tonalidade encontrada no “exterior” (e com ela variando conforme as estações do ano). Através de uma técnica conhecida pelo nome de shakkei as montanhas, quedas de água, matas selvagens, são incorporadas no espaço do jardim, num arranjo paisagístico em que o “cenário” se interpenetra com o que o não é, de modo a restituir uma indissociável unidade e a multiplicar a ilusão até aos limites do que já não podemos ou sabemos classificar como tal. § Há jardins – como os do Palácio Imperial de Quioto – em que o ideal a atingir é tornar a intervenção humana tão discreta que esta se torne quase imperceptível. Como? Dispondo, por exemplo, entre a vegetação comum uma planta rara que aparentemente com ela se confunde, ganhando todo o seu valor pelo facto de não poder estar ali por “meios naturais” e conferindo a todo o espaço um peso de invulgaridade, pela mera presença de uma árvore ou flor inusual. É o caso da tangerineira do Palácio de Quioto (a tangerineira é uma árvore raríssima no Japão) que se destaca e confunde suficientemente das e com as plantas comuns que a cercam, para que tudo adquira o sentido de um tesouro, passando desapercebido a quem não distinga a diferente qualidade entre o “centro” e as suas “margens”, ou a quem nem sequer perceba que há centro e margens (pp. 69-70)

João Bénard da Costa, Quinze Dias no Japão, 2001

sábado, 15 de junho de 2013

Jardins do Antigo Egipto

Sennedjem in Deir-el-Medina (19º dinastia) representação do cultivo de cereais, de árvores e de flores

Jardins medievais

«A ideia de jardim fechado, ou hortus conclusus, remonta aos primeiros jardins. Por detrás dos muros e contrastando com um ambiente árido, havia sombra, água, plantas em abundância e uma aparência de ordem. O hortus conclusus medieval oferecia também protecção e permitia o cultivo de plantas, de legumes e de frutos. (...) Os jardins tradicionais estavam divididos em compartimentos, quase sempre, dispostos geometricamente.»

Christopher Bradley-Hole  in "The Rose, the Lily & the Whortleberry - Medieval Gardens" 

Planta de hortus conclusus

sábado, 19 de janeiro de 2013

Dorothea Lange (1895-1965)

'Migrante Mexicana', Santa Clara Valley, California, 1938
                                                                     

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

terça-feira, 30 de outubro de 2012

O que aconteceria se todo o mundo se tornasse orgânico?

"Resultado: Mais 75% de calorias por pessoa em todo o planeta.Se queremos que o planeta seja o mais saudável possível, com comida para todos, então todo o planeta deveria tornar-se orgânico" (00:32:43)